Meio-bruxo

Meios-bruxos são aberrações do acaso, filhos da morte interrompida. Como os bruxos tradicionais, também foram levados ainda crianças e submetidos ao mesmo regime brutal de treinamento físico e mental. Também enfrentaram a temida Prova das Ervas — aquele ritual alquímico onde compostos mutagênicos destroem os fracos e moldam os fortes. Mas algo saiu errado.

Essas crianças não morreram… mas tampouco sobreviveram da forma correta. Quando seus corpos começaram a ceder à toxicidade, foram salvas por um improviso desesperado: uma rara combinação de Mel Branco e Andorinha Melhorada foi administrada às pressas. A poção reverteu os efeitos fatais da mutação, estabilizando seus corpos antes da falência completa. Viveram — mas não como os demais.

O resultado? Seres incompletos. Mutantes, sim, mas imperfeitos. Seus sentidos são mais aguçados que os de um humano comum, seus reflexos e força acima da média, mas não alcançam o mesmo patamar sobre-humano de um bruxo plenamente transformado. Podem manipular sinais mágicos, mas com mais esforço e menor intensidade. Suportam toxinas e poções, mas com limites mais estreitos.

Ainda assim, subestimar um meio-bruxo é um erro fatal. Mesmo sem alcançar o auge físico dos seus “irmãos puros”, eles compensam com criatividade, astúcia e uma vontade de sobreviver que beira o fanatismo. São produtos da falha, sim — mas armas perigosas mesmo assim.

A sociedade não os vê com menos medo, tampouco com mais compaixão. Como os bruxos verdadeiros, caminham à margem, oferecendo sua lâmina e seu conhecimento sobre monstros em troca de ouro. Muitos sequer sabem que não estão diante de um bruxo completo… até ser tarde demais.

Curiosamente, entre os próprios bruxos — aqueles considerados “puros” — raramente há desprezo pelos meios-bruxos. A linhagem dos caçadores de monstros é marcada por tragédia e sacrifício, e poucos nutrem orgulho de suas mutações ou da esterilidade imposta. Muitos, em silêncio, invejam a centelha de humanidade que ainda arde nos meios-bruxos. Não é raro ouvir um veterano afirmar que teria preferido ser “imperfeito”, se isso significasse menos dor, menos perdas, menos morte.

Alguns chegam a ver nos sobreviventes das poções restaurativas uma espécie de esperança: uma alternativa menos cruel ao ciclo de sofrimento que a criação de um bruxo exige. Saber que algumas crianças puderam escapar de um destino que ceifou tantos — e ainda assim se tornarem armas letais — traz a alguns um consolo silencioso. Em seus olhos cansados, esses “falhos” não são lembranças do que deu errado, mas do que ainda pode ser feito de outro jeito.


Habilidades

Diferente dos bruxos puros, os meios-bruxos não carregam a maldição da esterilidade. Seus corpos, embora alterados pelos mutagênicos e reforçados por alquimia e magia, não foram completamente arrancados da condição humana. Ainda são capazes de gerar vida, mesmo que o preço de sua transformação tenha sido alto.

Sua longevidade também os distingue — vivem muito mais que um homem comum, décadas além da expectativa de qualquer guerreiro veterano. Contudo, não alcançam os séculos de existência de um bruxo completo. Onde um bruxo vê o tempo como uma sombra constante e duradoura, um meio-bruxo o vê como um fio esticado entre dois extremos: o humano e o mutante. Vivem, em média, metade do que um bruxo puro vive… e talvez, para muitos, isso seja uma bênção disfarçada.

Ainda assim, o que carregam é formidável. Seu corpo, mesmo sem alcançar os picos extremos de mutação, resiste a doenças e intoxicações com eficiência sobre-humana. São capazes de ingerir poções e elixires que matariam um homem normal em minutos — embora em doses controladas e com efeitos que não se comparam ao pleno vigor dos bruxos tradicionais.

A força, velocidade e reflexos dos meios-bruxos rivalizam com os melhores guerreiros humanos e, muitas vezes, superam-nos com facilidade. Embora não atinjam os mesmos níveis de brutal eficiência dos bruxos puros, compensam com astúcia, improviso e uma humanidade que ainda pulsa dentro deles. A maioria domina os sinais — feitiços simples, mas versáteis — e usa esses recursos com criatividade e precisão letal.

Possuem também a bênção da regeneração acelerada. Não tão impressionante quanto a dos bruxos completos, mas suficiente para se manterem de pé após ferimentos que matariam qualquer outro. Suas cicatrizes contam histórias de batalhas vencidas, não apenas pela mutação, mas por pura tenacidade.

São armas, sim — forjadas no limite entre dois mundos. Nem totalmente humanos, nem inteiramente bruxos. Mas, mesmo incompletos aos olhos da alquimia, são completos no que importa: sobrevivem, caçam e vencem.

Criado por: Scowlingcafe.
Inaugurado em:  05 de março de 2024
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